
Conhecida como uma das metrópoles com maior poluição visual no planeta, cuja visualidade do espaço público é tomada de uma forma voraz e implacável pelos anuncios publicitários, resultado da complacência dos poderes municipais, São Paulo reverteu, recentemente e de forma drastica, sua paisagem urbana.
A lei “Cidade Limpa”, que proibe anúncias publicitários em outdoors e espaços não regulados, tornou São Paulo em uma grande cidade “no-logo”(livre da propagação de marcas e logotipos de empresas). Após o prazo para a retirada dos anúncios que infestavam a cidade, São Paulo apareceu com uma cara renovada, ainda que empoeirada, mas livre das máscaras e sombras que cobriam sua identidade original.
O desmantelamento da parafernália estrutural dos outdoors ainda hoje não foi totalmente completa. Muitas das empresas que viviam desse mercado, com a lei, acabaram falindo e assim faltaram recursos ou vontade em desmontar o que sobrou das estruturas. Muitos dos postes metálicos ainda pontuam a paisagem da cidade, principalmente fora das zonas centrais de maior visibilidade, configurando resquícios de uma época passada.
Essa presença residual na paisagem de São Paulo levou o Grupo Bijari e o arquiteto porto-riquenho/holandês José Subero a propor a apropriação dessas estruturas obsoletas para a instalação de jardins-verticais. Na nossa imaginação esses outodoors se transformam em gigantes árvores urbanas, esculturas a céu aberto,
A questão principal desse projeto que chamamos de “Natureza Urbana”, (um desdobramento de outros projetos que o Grupo Bijari realizou instalando jardins em estruturas urbanas ) é criar um discurso simbólico, a imagem de um possível, sugerindo assim que a antiga “metrópole dos anúncios” possa se converter na metrópole da reabilitação verde.
Aproveitando-se do espírito de renovação despertado, quando a mudança de mentalidade parece reinvindicar melhores padrões de vida urbana, o projeto pretende garantir essa continuidade para além do processo inicial de limpeza, projetando uma reversão muito mais completa e estrutural e repensando toda política urbana no sentido de garantir ações mais sustentáveis e um ambiente ecologicamente saudável.
A estratégia inclui a transferência de financiamentos privados que costumavam financiar ações publicitárias nesses suportes e redirecioná-lo para projetos de pequena escala e de interesse urbano ecologicamente conscientes.